segunda-feira, 2 de abril de 2012
A canção dos homens
Quando uma mulher de certa tribo da África sabe que está grávida, segue para a selva com outras mulheres, e juntas rezam e meditam até que aparece “A canção da criança”.
Quando nasce a criança, a comunidade se junta e lhe cantam sua canção. Logo, quando a criança começa sua educação, o povo se junta e lhe canta a sua canção.
Quando se torna adulto, a gente se junta novamente e canta.
Quando chega o momento de seu casamento, a pessoa escuta sua canção.
Finalmente, quando a sua alma está para ir-se deste mundo, a família e amigos aproximam-se e, como em seu nascimento, cantam sua canção para acompanhá-la na “viagem”.
Nesta tribo da África, tem outra ocasião na qual os homens cantam a canção.
Se em algum momento da vida a pessoa comete um crime ou um ato social aberrante, levam-no até o centro do povoado e a gente da comunidade forma um círculo ao seu redor.
Então lhe cantam “sua canção.”
A tribo reconhece que a correção para as condutas antisociais não é o castigo; é o amor e a lembrança de sua verdadeira identidade. Quando reconhecemos nossa própria canção, já não temos desejo nem necessidade de prejudicar ninguém.
Teus amigos conhecem a “tua canção”. E a cantam quando a esqueces. Aqueles que te amam não podem ser enganados pelos erros que cometes, ou as escuras imagens que mostras aos demais. Eles recordam tua beleza quanto te sentes feio, tua totalidade quando estás quebrado, tua inocência quando te sentes culpado e teu propósito quando estás confuso.
Tolba Phanem
Poetisa Africana
segunda-feira, 19 de março de 2012
Apocalipse Zumbi
Há muitos zumbis por aí.
Não estão vivas, apenas andam.
Não tem inteligência, apenas fazem o que todos fazem, uma espécie de instinto.
Estão apodrecendo por dentro.
Querem te pegar, sugar a tua vida, te puxar pro mundo delas e fazer você acreditar que não tem mais jeito.
A diferença de um apocalipse zumbi agora é que eu poderia atirar nas cabeças delas sem ser preso. Aliás, seria considerado um herói.
By Jhonny Russel, escritor desse blog aqui, em uma mesa de bar.
Não estão vivas, apenas andam.
Não tem inteligência, apenas fazem o que todos fazem, uma espécie de instinto.
Estão apodrecendo por dentro.
Querem te pegar, sugar a tua vida, te puxar pro mundo delas e fazer você acreditar que não tem mais jeito.
A diferença de um apocalipse zumbi agora é que eu poderia atirar nas cabeças delas sem ser preso. Aliás, seria considerado um herói.
By Jhonny Russel, escritor desse blog aqui, em uma mesa de bar.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Todo esse sangue que vejo por aí está por aqui também?
Em casa, cozinhando, a faca, num desvio descuidado golpeia meu dedo. Foi então que dele começou a verter um líquido. Não rubro como esperava, mas transparente.
As crianças rapidamente chegaram aos meus pés e eu dei de beber a elas o líquido que vertia de meus dedos.
Elas bebiam como se fosse mel.
E aos poucos foram ficando sonolenta, lentas, sonos, dormiram ali mesmo, no chão da cozinha.
Curiosa, provei do líquido e minha língua adormeceu.
Foi então que entendi.
Tantos anos vendo tudo que acontecia ao meu redor. Vendo pessoas morrendo, vendo estupros absolvidos, vendo a justiça comprada.
Tantos anos vendo meu sonho se afastar de mim, vendo tudo ser tirado de quem realmente necessitava, e sendo dado a quem já tinha tudo, numa espécie de Robin Hood ao contrário. E vi tudo isso sem mover um dedo sequer.
Assisti impassível, durante anos, toda a injustiça que me cercava, reclamando com meus semelhantes, mas sem nunca fazer nada para mudar a cena. E todos ao meu redor fazendo o mesmo que eu.
Finalmente entendi, quando preferi rir ao chorar, ler a piada ao ler o artigo sobre drogas e a infância.
Entendi.
Das minhas veias... Não... Das veias de toda a minha geração não vertia sangue.
Nas nossas veias não tinha sangue... existia Xilocaína.
sábado, 8 de outubro de 2011
Eu te amo
Eu te amo.
Calma, não precisa dizer nada. Nem muito obrigada, nem “eu
também”, nem “eu sinto muito”. Apenas fique em silêncio e sinta o meu amor.
Pela primeira vez, em toda minha vida, eu não quero nada em
troca. A plenitude de sentir o que sinto já me basta.
Se você me ama, lamento dizer, mas isso não é problema meu.
Preciso dar conta do meu sentimento. Cuide você do seu.
Pode ser efêmero, pode durar só essa noite, o amor que tenho
por ti. Que seja. Mas amanhã, pela manhã, me sentirei feliz pois terei a
certeza de que amei sem pedir nada em troca.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
E a paixão?
Já estava acostumada a ter sempre uma paixão.
A falta daquilo me sufocava. Corri atrás para recuperar a
emoção, mas só recuperei a dor.
Sou meio assim, desesperada por sentimento. Carente. Odeio
não sentir.
Quando a oportunidade me apareceu novamente me peguei
pensando: estou apaixonada por esta pessoa ou estou apaixonada pela sensação de
estar apaixonada?
Acho que é isso. Eu gosto é da sensação. Do frio na barriga,
da taquicardia, da saudade, do sorriso bobo que invade meu rosto quando estou
sem pensar nada, no ônibus.
A paixão sim é apaixonante.
Mas ela não vem sem um vetor, um avatar, um representante.
Seria mesmo bom se pudéssemos simplesmente nos apaixonar sem depender do outro.
Apenas pela sensação.
Mas não dá. E é isso que nos torna tão dependente, tão
escravos, tão bobos e cegos.
O dia que inventarem uma injeção de paixão, eu estaria na
fila da compra. Compraria sem dúvidas.
Já imaginou?
Toda aquela sensação boa da paixão sem precisar carregar um
humano cheio de defeito no pacote, um humano que certamente nos magoará e nos
fará prometer coisas que não cumpriremos, sobre nunca mais nos apaixonar.
Mas pensando bem, isso seria uma droga muito viciante. Já
imagino traficantes de paixão e clínicas de reabilitação para viciados.
Certamente, seria proibida depois de um tempo, pois causaria caos e desordem
pública.
É...
Melhor optar por doses homeopáticas de paixão. Um
pouco de cada vez. Torcendo para que um dia o efeito colateral dessa droga seja
o amor... mas só vale se ele for eterno (mesmo que seja só enquanto dure).
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Café

Enquanto ela fazia o café, dançava pra lá e pra cá ao som de uma música invisível. Seus pés mal chegavam a tocar o chão. Dizia que as borboletas em seu estômago a levariam até o céu. Foi até a janela e suspirou fundo, como quem traga a vida em pétalas que brotavam de sua varanda.
O outro, deitado e com o peito descoberto, olhava para o teto fixamente. “Fiz merda!” ele pensava. “Mas foi a melhor coisa que já fiz na minha vida!”.
Um sino suave vinha da rua. Aquela manhã tinha uma cor tão própria que ela nem acreditava que tudo aquilo era real.
O perfume do café invadiu o bairro todo. Todos podiam sentir a felicidade que ela sentia. Ao respirar aquele arom0,a todos podiam sentir mais forte o sangue em suas veias e eram tomados pelo estranho instinto de dizer “eu te amo” para quem realmente amavam.
Ele levantou-se, vestiu a camisa e, descalço, caminhou até a cozinha. Encontrou-a bailando uma valsa. Sorriu, tomou-a em seus braços e pôs-se a bailar também. Dançaram ao som da música invisível e sorriram e dançaram e sorriram.
Como crianças que adoram espiar o presente antes de ganharem, foram ao quarto e olharam mais uma vez a mochila cheia de peças e ferramentas. Eles foram até lá e fizeram o que era preciso fazer, agora era só aguardar o estrondo.
Tomaram café como quem bebe felicidade. Em suas veias, o sangue corria forte. Sim, eles estavam vivos. Podiam sentir. Saíram da morosidade cotidiana para lutar pelo que acreditavam e sentiam que poderiam chegar até o céu. Eles podem.
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Ela (eu)

Ela coloria a vida com lápis de cor.
Ela olhava cada dia como quem vê uma canção.
Ela sonhava e nas horas vagas encarava a realidade.
Pediram pra ela crescer, ela disse não.
Não viam nela toda a poesia de ser criança.
E ela continuou a dançar sua cantiga de roda.
Sorrindo para a lua e dando asas aos seus pensamentos.
Só quem vive em seu mundo poderá conhecer a beleza de sua leveza.
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