terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Platônico


Todos os dias ela subia para o ônibus. Roupas leves, cabelos molhados, maquiagem fraquinha e o seu perfume – nossa, que perfume! Já havia pesquisado, era Egeo, do Boticário. Sentava-se sempre no lugar a minha frente. Seu cheiro me inebriava durante toda a viagem. Às vezes ouvia música (e cantarolava), às vezes lia, às vezes falava com a mãe ao telefone (sua voz não era aguda nem grave, nem alta nem baixa, perfeita), às vezes não fazia nada, apenas ficava vendo as ruas passarem, sem prestar atenção em nada. Às vezes (bem raro) ela chorava. Sentia vontade de encostar seu rosto no meu ombro e consolá-la “Não fique triste que esse mundo é todo seu” dizia a música, e ela é, com certeza, mais bela que qualquer camélia que eu tinha visto.

Descia sempre em frente a um prédio comercial. Fico imaginando em que ela trabalharia.

Hoje, porém, tinha um paquiderme no seu lugar. Vi quando ele entrou, quase o proíbo de sentar ali, naquele lugar sagrado, mas eu não podia fazer nada. Ela sentou lá atrás. A viagem foi quase insuportável sem o cheiro dela, imaginar que outro estava sentindo o seu perfume quando deveria ser eu.

Acalme-se, rapaz. Amanhã ela sentará no seu lugar de sempre. Você sentirá o seu perfume. O perfume que te dar forças para encarar seu duro dia.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

15 minutos.


Apenas isso. Tudo que tenho para escrever uma vida de sentimentos. Olho ao meu redor. Todos seguem finalizando seus afazeres.

O fim do dia útil.

O desejo pelo início do dia inútil me preenche.

O que ainda posso fazer?

Escrevo essas linhas sem sentido apenas pela necessidade de escrever, mas sem nenhuma história pra contar.

Gostaria de me afogar em destilados e fermentados, mas hoje, os únicos companheiros que me esperam são analgésicos e antitérmicos.

Tanto a criar, poderia escrever uma novela somente com esses dias de 2011. Um ano em um mês e eu ainda não estou satisfeita.

Estou mais velha, mas isso é assunto pra outro post, outro dia qualquer. Um dia que eu tiver mais do que somente 15 minutos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A verdade realmente vos libertará?


E numa mesa, no refeitório da fábrica.

- Paulo, está acontecendo alguma coisa? Eu e os rapazes te notamos muito calado o dia todo.

- É, Paulo. Ficamos preocupados.

- Conta pra gente, parceiro.

- Ai, pessoal. Ontem me aconteceu algo terrível. Nossa! Não gosto nem de lembrar.

- Mas o que foi que aconteceu assim, de tão terrível?

- Ontem eu descobri quem é de verdade a minha mulher.

- Como assim, cara?

- Lembram que ontem eu passei mal e saí mais cedo daqui?

- Sim, sim. Mas o que foi?

- Deixa eu adivinhar. Quando você chegou em casa, sua mulher estava com outro. Estou certo?

- Antes fosse, Joaquim. Antes fosse isso. Não me sentiria tão enganado, tão iludido, tão cego. O que eu descobri ontem não deveria acontecer com um homem. Não mesmo.

- Ai, Paulo, fala logo. Você está deixando todos nós agoniados.

- Ontem, amigos, descobri que minha mulher é feia.

- (em coro) Como assim?

- É, amigos. Aquela mulher linda que eu conhecia há 10 anos, aquela com quem me casei, que vocês todos conhecem, ela não existe. É uma farsa.

- Paulo, Paulo. Explica isso direito.

- Desde que eu a conheci, a achei linda. Sempre que eu a encontrava, ela parecia um botão de rosa. Uma pele alva e macia, a boca pequena e bem desenhada, cabelos presos bem arrumados e um perfume que exalava carinho. Casamos-nos e sempre aquela mulher me encantou. Durante esses 08 anos em que moramos na mesma casa, a rotina era a mesma. Ela me acordava com um beijo, com aquele hálito puro e refrescante. Eu ia tomar banho e quando chegava à mesa, ela já tinha acabado de servir o café, linda e graciosa. Vinha trabalhar e quando chegava em casa, a noite, lá estava ela, linda, perfumada, do mesmo jeitinho de quando a conheci, o jantar servido, a casa impecável. Íamos pra cama e, no escuro, fazíamos loucuras, dormíamos abraçados e no dia seguinte, eu acordava com seu doce beijo. Mas ontem foi diferente. Algo aconteceu, não sei. Cheguei mais cedo em casa, às quatro horas da tarde. Entrei em silêncio, para fazer-lhe uma surpresa, mas quem teve a surpresa fui eu. Quem estava em casa não era a minha mulher, não podia ser. Quem estava lá, de quatro, esfregando o chão, não era a mulher com quem me casei. Não! Era uma mulher horrenda, pele manchada, com muitas marcas de espinhas, olheiras escuras que pareciam de morte, lábios finos e sem cor, exalava um suor forte, quase masculino e o cabelo, não gosto nem de lembrar, todo desgrenhado. Quando aquela mulher me viu, estupefato, veio em minha direção, querendo me abraçar, sorrindo. Fiquei parado e ela sem entender nada. Ela disse, com aquela mesma voz que eu ouvia todas as noites sussurrando em meus ouvidos, que estava feliz em me ver. Ai, amigos! Não consegui dormir. A imagem daquela mulher não sai do meu pensamento.

- Nossa! Sua mulher o enganou!

- É. E sabe o que é o pior? É que eu acho que todas as mulheres são assim.

- Que é isso?! Claro que não! A minha mulher não é assim não!

- Nem a minha!

- Oxi! Muito menos a minha. Minha mulher é linda!

- É mesmo? Vocês já viram suas mulheres sem maquiagem?

- (todos)...

- Se não acreditam em mim, façam a prova. Cheguem mais cedo em casa.

- Eh... Eu, não. Tenho muito o que trabalhar aqui.

- Eu também. Tenho muito o que fazer.

- Eu também. Vou ficar aqui trabalhando, tem coisas que é melhor a gente não saber.

- É... Eu preferiria não ter sabido.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Enquanto espero os amigos na mesa do bar.

Não gosto de extremos.

Prefiro não ser a devassa,

Mas repudio quem me chama de santa.

Nunca quis ser a mais inteligente,

Me esforço para não ser a mais ignorante.

Só o meio me seduz,

Até mesmo a felicidade, quando é demais, desconfio,

Preciso do amargo da tristeza pra temperar.

Prefiro escrever de lápis,

A caneta me passa uma eternidade que não quero ter.

Enquanto procuro verdades

Mais me perco nos meus pensamentos.

Caminho pela chuva porque odeio calor,

Me pego reclamando do frio.

Não gosto de extremos,

Prefiro ser mediana.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Tubarão-Baleia

Vi esse texto no Blog Devaneios Esferográficos, aqui. Fiquei impressionada, agoniada. Vale a pena. Leia também.




Peso 55 Kg.
Quinta-feira é um ótimo dia pra começar uma dieta, não existe aquele compromisso da Segunda. Ainda mais quando se está gorda como eu estou. 54 kg, um absurdo. Nunca vou conseguir trabalho assim. Preciso emagrecer, preciso. Acho que nunca pesei tanto na minha vida, meus ossos pesam, minha barriga pesa, por deus até meu cabelo pesa. Mas isso eu tiro de letra, umas sopinhas de envelope, cortar os carboidratos, malhar é uma boa.

Peso 54 Kg.
Me desvairar dançando na pista ajuda. Suar, perder calorias, não comer. Dieta é para fracassados com seus livros de auto-ajuda eu sou forte e consigo sozinha chegar no peso que eu quero, emagrecer é a meta. Mas por hora transar com aquele cara alí me ajuda a gastar a energia que eu preciso e perder as calorias que eu necessito. E ah, ele é um gatinho, magérrimo, cobiço seu corpo esguio, deve ser um drogadito perdido na boate enquanto deveria estar num inferninho. Transamos no banheiro, nem sei o seu nome.

Peso 54 Kg.

Fiquei pensando sobre os drogados do mundo da música, todos eles são magros. Alguns muito magros, há muitos anos. Drogas emagrecem? creio que sim. Vou ligar pro rasta, quem saiba ele tenha algo que possa me ajudar.

Fumei maconha, um monte, exageradamente. Já tinha fumado antes, mas nunca nessa quantidade. Ai nossa, que fome, fumo mais e mais, para a fome não vir. Caio chapada e durmo.

Peso 54 Kg.

Conheci uma menina uma vez que disse ter perdido 10 kg cheirando coca, e ela era imensa de gorda. Bom, hoje ela é só gorda. Se eu começar a cheirar agora, pode ser que eu perca esses 11 kg, talvez um pouco mais. Quem sabe 12 kg? Vou sair, conhecer alguém que me venda essas coisas, preciso perder uns 13 Kg.

Gula, é um dos sete pecados capitais. Na idade média a porta das cozinhas eram estreitas para evitar que os padres gordos entrassem nela. Acho que as portas do céu devem ser assim também, bem estreitinhas. Se gula é pecado, gordo não entra no céu. São Pedro tem uma balança na entrada do céu, quem pesa demais vai direto pro inferno.

Peso 54 Kg.

Sinto fome, mas não vou comer. Somente tomar um copo de água. Vou sair, é na farra que eu perco essa barriga.

A cocaína ajuda, me dá ritmo, me estimula, faz algo vir lá de dentro e diz para eu não parar. Eu não quero parar, só quero dançar, ferver. Mas ainda sim odeio branco, branco e estampas florais engordam. Prefiro o preto.

Eu bem que poderia ter difteria, menos 12 kg na mesma semana. Iria ser ótimo. Mas como eu faço pra pegar isso? Minha mãe deve ter me vacinado contra. Que Droga! Acho que nem o Alface mais podre do final de feira vai me encher de vermes suficientes para que eu pegue essas doenças que fazem a gente evacuar com facilidade. Que droga.

Batata frita, uma não vai fazer mal. Nem essa, nem mais uma. Maionese, ketchup e mostarda. Com licença rapazes, vou ao toilet. Vomito. Ponho tudo pra fora. Sinto sede, água e mais água.

Peso 53 Kg.

Malditas Batatas, me fizeram engordar, estou ficando pesada com todo esse líquido, me sinto inchada. Tenho fome, vou comer algo sólido. Gelo talvez resolva, sinto o gelado no estômago, difícil é mastigar essa coisa. Mas Mata a sede e a fome.

Está um lindo dia de sábado, as pessoas vão fazer um churrasco, não quero ir. Vou cair na tentação, não posso, eu sou forte. Sábado é dia de descanso. Mas é um lindo dia de sol. Eu poderia ser como as plantas absorver a luz do sol, a água da chuva e sais minerais do solo, realizar a fotossíntese. Pena que não fico bem de verde. Fico um ogro, um imenso ogro verde. Vou desligar o celular e dormir, as pessoas vão acabar me ligando. Prefiro passar o sábado em casa sozinha do que na companhia dos meus amigos que não acham que eu preciso perder alguns quilinhos, e aquelas invejosas todas dizendo que estou magra. Quando na verdade estou imensa de gorda.

Peso 52 Kg.

Há quantos dias estou assim, há sei lá? Bebo água, um corpo humano pode ficar sem comer um mês, mas não sem água. Acho que é essa a resposta. Tomar sucos e outros líquidos. Líquido não engorda... Melhor ficar na água. Mas e refrigerante, é líquido, e engorda... ai não sei, melhor não pensar, só beber. Mas cerveja faz ganhar barriga, é... líquidos também podem ser nocivos a minha dieta, melhor maneira também.

Talvez arrumar um namorado fosse conveniente, sexo consome muitas calorias e ocuparia o tempo nesse domingo chato. Mas quem vai querer a obesa aqui?

Ligo a TV, um documentário sobre o tubarão-baleia. Gordo! Ele é o maior peixe do mundo pesa 12 toneladas, pensei que ele fosse meio mamífero meio peixe, mas ele é só peixe. Ele se alimenta sugando água, e organismos minúsculos que não podem ser vistos pelo olho humano ficam presos nas suas brânquias, guelras, ou sei lá como chamam.

Seria bom se eu tivesse brânquias, me alimentaria de seres unicelulares e ficaria bem magra. Comer quase nada e ficar magra. Apesar de fazer mal, comer é importante. Uma vez me disseram que é uma necessidade fisiológica, como respirar e fazer sexo. Sexo? hummm, talvez quem sabe. Mas teria de encontrar um daqueles tarados por gordinhas, pois não creio realmente que alguém vá me querer assim.

Respirar é fisiológico então? Mas e se eu sugar o ar pela boca, ela vai pro meu estômago? Parece uma boa idéia, me alimentar de ácaros e bactérias. Seres minúsculos que eu não vejo, me alimento sem ver, sou uma pessoa saudável.

Fico deitada o dia todo vendo tevê, a preguiça também consome gordura. Não comer é antes de tudo uma determinação, emagrecer é preciso.

Peso 51 Kg.

Desde que comecei a emagrecer tem esses pêlos na barriga, gostosos de passar a mão, minha mãe disse que a amiga dela que é médica disse que esses pelos são sintomas de anorexia e que eu preciso de tratamento. Bobagem. Não tenho anorexia, anoréxica são as pessoas que não percebem que estão magras. Eu não posso ser anoréxica, imensa do jeito que eu estou.

Quanta tristeza, e quem deixou esse pote de sorvete na geladeira? será que foi minha mãe? Napolitano, hum... Não quero. Não gosto de morango, só de chococolate e baunilha. Chocolate, um copinho só. Baunilha também. Ué, acabou? Não pode, o morango parece tão bom, e está mesmo, tão bom. Me enjoo, não gosto de morango. Banheiro: Arhg! Sai, sai desgraça. Escorre pelo ralo desgraça rosa. Engraçado, eu não lembro desses pontos mais avermelhados no sorvete.

Fico alí olhando o meu vômito, percebo que tem sangue nele, misturado ao sorvete. Aquilo é estranho, mas sei lá. Se acontecer de novo, devo ter algum problema.

Peso 50 Kg.

O Cabelo grande, ele deve pesar demais, vou cortar um palmo. Não, não foi o suficiente, outro palmo. Mais curto, mais curto, mais curto. Agora sim! agora. Pareço alguém com Leucemia agora, que merda eu fiz? Meu cabelo, ai meu cabelo. Tanto tempo para crescer e ficar bonito, cabelo pesado e grosso, era você que não deixava eu chegar onde eu queria, se soubesse tinha cortado você antes. Ainda mais assim, seco e suicida.

E então espelho, careca é futurista o suficiente para você?

Peso 49 Kg.

Tenho de desfilar hoje, me mandaram um vestido com listras horizontais, não quero, não vou usar, não vou desfilar, essas listras me deixam gorda. Acho que meu agente faz isso de propósito. Odeio-o. Mas ele vai ver, vou ficar magrinha e vou ser a primeira a escolher o vestido que vou usar. Quero um copo de água, sinto certa tontura. Água com açúcar! Não, não, com adoçante.

Respiro pela boca, vou comer meus bichinhos. Pequeninos e delíciosos.

Peso 48 Kg.

Estava deitada, vendo uma revista dessas de super-herói que meu irmão coleciona. Acho que voar gasta muitas calorias, por isso não existem super-heróis gordos. Como não se pode voar, não existem super-heróis gordos. Na verdade nem super-heróis existem, só gordos. Gordos como eu.

Cancelei os meus trabalhos, não quero modelar enquanto não estiver em forma.

Preciso mastigar, acho que é uma necessidade. Gelo.

Peso 47 Kg.

Estou com fome, água. Encho a barriga de água. Me sinto cheia demais, vomito. Um gosto ruim na boca. Preciso comer algo. Estou com fome, respiro pela boca. Vou para perto do tapete. Respiro, respiro, respiro. Fico ali por horas, quase em transe. É a minha meditação e minha dedicação, não se emagrece sem esforço e sem vontade.

Penso a respeito de tudo, tudo que importa estar magra ou não. Começo a me sentir mal, nunca ouvi dizer de ninguém que se alimente de organismos microscópicos. Quem os come? Não sei, não faço idéia. Será que só eu como? Como eu estou sendo gulosa. Quantos milhões de ácaros, fungos e bactérias eu ingeri nesses dias sozinha? Vou ficar gorda desse jeito. Preciso parar de fazer isso, preciso parar. Comer está me fazendo mal.

Não quero mais água. Não quero mais respirar, preciso parar de ser gulosa. Uma glutona. Meu Deus, eu estou comendo demais. Não agüento isso. Vou parar de comer, parar de respirar esse malditos micróbios que me engordam.

Peso 46 Kg.

Me disseram que eu tive uma parada respiratória. Que eu poderia entrar em coma, eu tenho anorexia, e que vou passar por tratamento psicológico. Mas não quero saber nada disso. Quero saber é quantas calorias tem esse soro.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

E numa festa qualquer...


- Hey, tu aí. O que tu ta olhando?

- Eu?

- É tu mesmo, piranha. Que que tu ta olhando pro meu namorado?

- Só to olhando.

- É isso aí. Por que tu ta olhando pro meu namorado?

- Ué! Porque ele é bonito.

- Mas ele é meu namorado.

- Parabéns! Você tem sorte.

- Cara de pau, você, hein?! Só sendo muito puta pra falar uma coisa dessas, assim na minha cara!

- Ainda mais essa! Não foi você mesmo que perguntou?

- Sim. Mas você não pode ficar olhando pra ele assim.

- Claro que posso! Ele está na rua, num lugar público. Quem quiser olhar pra ele, aqui, pode.

- Que papo é esse?

- Não quer que ninguém olhe pra ele, não deixa ele sair de casa, ora!

- É muita ousadia tua vir me falar uma coisa dessas!

- É muita ousadia sua vir querer mandar pra onde eu posso ou não olhar.

- Mas ele é meu namorado.

- E esses são os meus olhos. Eu olho pra onde eu quiser.

- Ai, sua vagabunda! Vai já olhar o soco que eu vou te meter na cara.

- Quer me bater? Vem, me bate. Mas você vai presa.

- Tu sabe com quem tu ta falando?

- A muito contragosto, com uma patricinha egoísta e barraqueira que acha que porque alguém aceitou namorá-la, essa pessoa virou sua propriedade.

- Ai! Olha aqui, sua vagabunda...

- Uau! Olho nada. Prefiro olhar pra aquele gato que acabou de entrar. O que você acha?

- Nossa! Que Adônis! Pena que com uma namorada tão feia. Ele merecia mais.

...

FINAL ALTERNATIVO

- Tu sabe com quem tu ta falando?

- A muito contragosto, com uma patricinha egoísta e barraqueira que acha que porque alguém aceitou namorá-la, essa pessoa virou sua propriedade.

- Ai! Olha aqui, sua vagabunda...

E a barraqueira partiu pra cima da nossa heroína e bateu nela.

Nossa heroína processou a barraqueira, mas ela era filha de um desembargador e a nossa heroína foi condenada a pagar uma indenização de R$10000 por danos morais.

O namorado gato continua com a barraqueira filha do desembargador. Ela é rica e dá tudo que ele quer.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

por Charles Chaplin


A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade.

Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?